Bem, estamos juntos sim, resumindo todas as idas e vindas do nosso relacionamento. Minha família já sabe, porém, ainda não tive coragem para aquele almoço patétiquíssimo de Domingos para a apresentação oficial.. arght... já viu passando pela rua, já trocou algumas palavras... poderia bastar né? Juro que seria muito mais feliz..rs.
Hoje ele começou a faculdade, após uma discusão ridícula, dizendo que tudo mudará, ainda mais depois da minha volta a academia, aiii... sabe aquela irritação profunda que você se submete quando a real vontade é a de dar um pé na bunda e o pior: literalmente, pra ver se o hematoma gigante que se formaria em suas nádegas poderia lembrá-lo que a a dor de não ser literalmente poderia ser muito maior... pois é, ai vem a respiração aprendida em uma aula única que tive de Yoga há alguns anos atrás e, me concentro no meu pé para que ele não se descontrole e lhe acerte o pontapé...
Vamos levando e veremos no que dará... mudanças com certeza terão, só basta sabermos se para melhor ou para pior...
O texto abaixo, foi tudo muito igual como senti pela primeira vez que ele me disse que me amava. (e ás vezes ainda bate um surto até hoje).
Ele disse que me ama
A fórmula da felicidade feminina parece ser alcançar uma declaração de amor, que possua o encaixe tridimensional das palavras “eu” “amo” “você”, ou ainda com a variação do “te” em substituição ao “você”.
Diferente do “eu te amo” dos casais de mais tempo que é usado como sinônimo de “tchau” ou “até logo”, aquele primeiro “eu te amo” que sai da boca como que rasgando a alma, este, em regra, é o sonho de consumo dos apaixonados.
Eu sei que parece descomedidamente poético, mas a mulher que nunca se derreteu implorando pelo amor de um alguém que atire o primeiro ursinho de pelúcia amassado e encharcado de lágrimas!
Regra fundamental ao mundo feminino moderno, no entanto, é que você procure não ser boba o suficiente para ir se antecipando em apaixonar-se antes dele, quanto mais a querer imaginar filhos logo que ele propor que vocês namorem.
Na verdade, eu já estava pensando nisso (essa coisa de estar amando) desde a primeira vez que dormimos juntos, parece um mantra clitoriano a mulher amar o cara com quem ela acaba de ter uma noite maravilhosa!
Esperei ele adormecer, estava lá o admirando e confessei meu amor por ele, foi ótimo, fiquei aliviada em dizer na presença dele e em voz alta aquilo e com a tranquilidade de não espantar o bonitão.
Não estamos namorando e nos conhecemos a pouco tempo, então tudo estava perfeito.
Acontece que, depois de uns dias dando a ele um pouco do veneno da indiferença, estrategicamente sumindo e tendo compromissos sem poder lhe dar atenção, nos encontramos e ele de repente, não mais que de repente, descobriu que eu era importante para sua vida.
Ele estava com uma nuvem estranha no olhar, não me perguntem como é isso, mas eu vi que estava me olhando diferente, levemente mais sério do que normalmente.
Estava mais carinhoso, atencioso e meloso que normalmente também. Já estava ficando apreensiva e resolvi perguntar o que estava acontecendo.
Ele fez um discurso que pouco me recordo, mas sei que o eixo principal era sobre se preocupar em me agradar, em me deixa a vontade e, após um longo silêncio, até bem confortável, ele olha pra mim e diz rapidamente “eu amo você”!
Começou a tocar na minha cabeça a Marcha Imperial – tema do Darth Vader, com sinos do instrumental tema do E.T. (não me pergunte por qual motivo, isso nunca tinha acontecido comigo).
Senti em parte feliz e em parte sufocada, queria sair correndo da frente dele, fugir gritando que ele era maluco. Não que eu não tenha gostado, mas em parte parece ter perdido a graça o fato dele ter me falado aquilo.
Numa só definição? Senti-me um homem na frente de uma menina, no momento em que ela acaba de fazer uma declaração de amor! Coisa mais estranha do mundo: comecei a respirar com dificuldade, a ter um troço, fiquei ofegante!
Ensaiei dizer que o sentimento era recíproco, mas ficou bastante parecida com poesia feita por uma criança que rima amor com céu e limão com abraço apertado. Foi nesse ponto que decidi que eu era o Darth Vader e ele o E.T.!
Não posso dizer propriamente que não gostei, porque fiquei feliz, mas não estou querendo vê-lo. Acho que preciso de um tempo para pensar melhor sobre isso!
Sei que isso pode soar anti-romântico, mas acho que eu preferiria que ele tivesse me levado pro motel com aquele ar misterioso e depois me deixado em casa sem falar muito, isso teria sido bastante excitante e hoje eu estaria cantarolando “Teus Sinais” do Djavan e não Marcha Imperial!!
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